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No Moinho de Tabaçó

 

 

 

 AS TIAS ROSA E JOAQUINA E A POMBA MENSAGEIRA.

 

 

 

A Infância.

 

Desde crianças que as tias Rosa e Joaquina eram muito amigas. Pudera, percorreram a infância e adolescência sempre juntas que juventude, pode dizer-se, quase não tiveram. Como os irmãos e irmãs, devido aos casamentos, foram saindo de casa, calhou a elas tomarem conta das lides domésticas, dos muitos sobrinhos, a maioria deles seus afilhados e dos próprios pais.

 

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O tardo em Tabaçó

Nota Introdutória.

 

Em edições anteriores da Voz de Cambra, debruçamo-nos sobre as tradições e lendas das faldas da serra da Freita, algumas passadas em Gatão.

 

Neste número e seguintes deambularemos por outras aldeias circunvizinhas e em particular pelos acontecimentos ocorridos nos seus moinhos, a maioria deles situados no rio Caima.

 

Se nos contos anteriores apareciam aves como mensageiras de determinadas notícias ou acontecimentos, agora vamos ter, por vezes, outra personagem mitológica designada de Tardo a desempenhar as mesmas tarefas e muito comum nas narrativas ouvidas nas aldeias, até finais do século XX.

 

Mas o que sabemos, em concreto, sobre o Tardo?

 

O Tardo ou Trevor é uma espécie de duende, um ser mítico do folclore popular português. O tardo também se chama de pesadelo ou tardo moleiro. O tardo vai importunar as pessoas que estão a dormir na cama que depois acordam com um grande pesadelo. O tardo pode aparecer na figura de um animal e frequentemente aparece na figura de um cão, gato ou cabra. O tardo quando aparece nos caminhos, nos regatos e nas encruzilhadas tenta deixar as pessoas intardadas (desorientadas) sem saber qual caminho seguir, mijando nas pernas das pessoas. (in, José Leite de Vasconcelos. Tradições populares de Portugal).

Tendo como pano de fundo este enquadramento, entenderemos melhor o Tardo(1) que vagueava pelas proximidades dos moinhos do Caima e que era deveras interessante e matreiro. Vejamos.

 

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História do culto a Nossa Senhora da Ouvida

 

Segundo Frei Agostinho de Santa Maria (1), o primeiro local de culto a Nossa Senhora da Ouvida terá sido em Ranhados, a sul da cidade de Viseu. Aqui foi criada, em 1629, uma Irmandade que, para além de ter como incumbência realizar festividades, tinha também como obrigação mandar rezar missas pelos irmãos mortos e acompanha-los à sepultura.

 

A igreja remota a 1656, anterior, portanto, a Viadal que é de 1689.

 

Naquele tempo, diz-nos Frei Agostinho, era notável a devoção e fé Nossa Senhora da Ouvida ou da Ourada, sobretudo em alturas de grandes apertos e aflições. Teve inicialmente festa a 5 de Agosto, dia da Senhora das Neves. Hoje é a 15 de Agosto. 

 

Quisemos confirmar a notícia do seculo XVII. Para tanto, deslocámo-nos a Ranhados em 1992. 

 

Era Sábado de Aleluia e a Igreja estava a ser embelezada com flores. Foi-nos confirmado que ali, desde “há muito tempo”, se invocava Nossa Senhora da Ouvida, tida em muita devoção pelas gentes locais, sobretudo quando os doentes sentem dores de ouvidos. 

 

Vimos a imagem que à semelhança da de Viadal, está no altar-mor rodeada de flores. É, no entanto, de tamanho bastante maior. 

 

Nossa Senhora da Ouvida, apesar de ocupar o lugar central do altar da Igreja matriz de Ranhados, não é, de acordo com aquilo que me foi informado, a padroeira da freguesia. A titular é Santa Eufémia. 

 

Quanto ao tempo – por ser Matriz – é de tamanho grande, em granito, com torre sineira e bordejado de amplo adro, onde há um altar para a celebração da missa campal. 

 

Para além de Ranhados, de cujo local se terá expandido o culto, invoca-se ainda Nossa Senhora da Ouvida lá para os lados de Castro Daire e em Paradela, Sever de Vouga. 

 

Naquilo que respeita ao nome Ouvida será ainda mais antigo. Na verdade, A. De Almeida Fernandes encontrou um documento de 1191 em que é feita uma doação de terras no sítio da Ouvida, em Sever, Moimenta da Beira (2). De acordo com Simões Júnior, a própria Serra da Freita terá sido conhecida, em tempos idos, pelo designativo de Ouvida (3). 

 

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A Festa de Nossa Senhora de Ouvida em Viadal

 

Das três festividades em estudo, esta é a menos conhecida. Será, no entanto, contemporânea da romaria da Nossa Senhora da Saúde e ligada, como referimos, à fase da expansão do culto mariano, pós-restauração da Independência em 1640.

Com efeito, uma das datas existentes na porta interior da sacristia indica o ano de 1689 e que será o do início do culto no mesmo local. Antes não existiria.

Documento de 1575, que faz uma descrição das terras da aldeia e dos seus donos, não refere, nas diversas confrontações, nomeadamente as da ranhada, o sítio da Srª da Ouvida, que parece que era então chão do maninho (1). Em contrapartida, é certo que, na Felgueira já havia o culto ao S. Tiago, como se infere da leitura do mesmo escrito, quando descreve o lugar de Tabaçó. De comum com os outros santuários, tem a localização. Na verdade, do adro desta capela desfruta-se uma das mais belas paisagens do Concelho. Vislumbra-se daí grande parte do vale de Cambra e terras limítrofes, nomeadamente as banhadas pela Ria de Aveiro(2). É magnífico ver, deste local, todo o vale verdejante e o sol a afundar-se no mar. A seus pés corre ainda límpido o rio Caima.

 

Mas o que sabemos do culto a esta Santa?

 

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